Hoje que era o Dia. O dia em que tinha de acordar cedo, arranjar-me, por-me bonita e ir para aquela entrevista de emprego que tinha tudo para correr certo. Mas não foi assim que aconteceu. Acordei com uma valente enxaqueca (um dos flagelos que a pilula trouxe à minha vida), vomitei, vesti-me, meti-me cama de casaco e tudo, para umas horas mais tarde me voltarem a acordar por causa de um problema com o curriculum.
E agora que já passaram algumas horas penso, "E porque é que aconteceu tudo hoje?". Nunca saberei a resposta, o facto é que o meu aspecto não era o mais convidativo para uma entrevista.
Lá fui eu, a arrastar-me cheia de comprimidos em cima do salto alto que, como diz a Vic "nos dão sempre a possibilidade de passar de meninas a senhoras".
O "Futuro" Boss era bastante simpático, fez as perguntas da praxe, olhou bem sério para a minha cara, principalmente numa altura em que comecei a ficar com um derrame no olho, e o meu aspecto devia estar qualquer coisa de "Vóila". Falou-me sobre as minhas tarefas de angariação de clientes e de como as coisas funcionavam dentro da empresa nomeadamente em relação ao meu cargo. Como todas as pessoas que falam comigo em termos profissionais também ele mostrou interesse pelo meu curso, fazendo as perguntas da praxe sobre saídas profissionais, estágios e outros que tais. Uma coisa nunca me poderei queixar em relação à licenciatura: é um tema de conversa muito pouco empregavel mas demasiado interessante.
Provavelmente não será nem o meu curso, nem o meu aspecto fisico que me levarão a atender o telefone e a marcar reuniões neste mágnifico part-time, mas pela senhora da recepção, até as minhas olheias e o meu derrame no olho são mais bonitos que o polar da Berg da SportZone.
(E queria eu vestir-me à empregada de escritório fina para ir à entrevista.)
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