09/02/2009

O tempo.

O tempo é talvez o inimigo público número um da sociedade em que vivemos. Ninguém tem tempo para fazer as coisas que quer, ninguém chega a tempo aos compromisos e há sempre coisas que ficam para trás na nossa vida por falta de tempo.
Desde sempre que quis ter ao meu lado uma pessoa ocupada que soubesse bem lidar com o stress e com a vida agitada: pois bem, calhou-me disso mas de uma maneira tão desproporcional que nem consigo lidar com a situação e entro em pânico.
Trabalho das nove às seis que nunca é as seis, faculdade das sete à meia noite e o facto de morar longe de mim são coisas que nunca me fizeram temer por nada, até agora.
O trabalho extende-se por altas horas já em casa e durante os fins de semana, os exames que começam agora, levam o resto dos tempos livros e no meio de todo o stress o principe encantado pede espaço para as coisas dele.
É claro que eu até consigo compreender o porquê dele necessitar de tempo para ele, e dou-lhe de boa vontade espaço para ele estudar e se organizar, mas eu sou mulher e preciso de um bocadinho de atenção também.
Assim que ficou decidido dar o espaço para resolução de catastrofes urgentes, o meu telemóvel deixou de tocar...poucas foram as mensagens...maior parte delas, secas, como se fossemos melhores amigos...deixei de saber onde ele anda e ele deixou de mostrar aquele entusiasmo que sempre mostrou.
De facto, tento sempre não desesperar, mas começo a achar que a vida dele tá boa demais sem mim, e que cada vez que ligo sou um peso, uma responsabilidade dele...que pelos vistos ele nem precisa de ter.
Mas o pior de tudo é que gosto, e gosto mesmo dele. Apetece-me sair e ir ao encontro dele para almoçarmos, para tomarmos café, para fazermos qualquer coisa gira juntos, para nos podermos rir e nos lembrarmos que ainda há muita coisa aqui dentro porque vale a pena lutar....Mas não, ele vai trabalhar e eu vou a mais uma entrevista que a sociedade assim o obriga.

1 comentário:

  1. Nelson Traquina compilou uma série de papers de vários autores em que um escrevia "Vencer o tempo é a demonstração mais clara da competência profissional do Jornalista". Porém, este problema afecta todas as pessoas. Quem sabe se esse tempo que ele precisa para as «catástrofes urgentes» não é para um dia aproveitar todo o tempo que tem contigo?

    ResponderEliminar