Existem muitas maneiras para as pessoas que nos amamos desaparecerem da nossa vida. Umas são levadas pela própria vida e outras deixam-se levar. Tu foste. O verbo certo é o passado, é o unico que pode fazer sentido no meio dos dias e das noites, no meio das promessas e das esperanças.
A vida levou-te de mim e agora quero odiar-te porque não cedeste um segundo assim que a oportunidade de partir surgiu. Sinceramente não devia odiar-te mais que ninguém? Lembras-te dos momentos em que riamos sem parar, em que as conversas eram infinitas e que o tempo parecia correr mais depressa? lembras-te de todos os locais que visitamos juntos, os locais secretos dentro do carro quando o mundo lá fora parecia desabar? Os projectos de um futuro em comum? Aquele dia na Malveira da Serra em que me disseste que estavamos no lugar onde ia ser a nossa casa? As surpresas que fizeste? A areia da tua praia dentro de um frasco? O acampamento dentro da tua carrinha? A nossa casa com uma fonte debaixo do chão da sala em vidro? Aquele sorriso derretido e comprometor? As conversas interminaveis ao telefone? O amor que parecia ser para sempre e que desapareceu...Como a àgua que se transforma em vapor...do nada despedi-me de ti cheia de pressa, e do nada eramos amigos...Nós sempre fomos mais que amigos...Estranho-te de uma maneira tão intensa que não te reconheço em nenhum gesto, em nenhum olhar. Porque deixei de ver brilho nos teus olhos, porque agora esse espelho está coberto de uma ambição desmedida que me nego intensamente a condenar.
É duro mas a pessoa que conheci morreu, não existe mais, morreste-me. Como morrem as flores todos os dias nos jardins, cheias de ilusões.
[Nunca mais]
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Força querida M. Joe. Estás no bom caminho!
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